quarta-feira, 17 de junho de 2009

Pensar ou sentir?

Quem tem por volta de quarenta anos deve se lembrar que os anos oitenta foram muito criativos em matéria de música. Havia para todos os gostos e estilos quantidade suficiente para se divertir, gostar e não gostar. Entre muitos, havia o The Smiths, a Blitz, Paralamas, U2 e muitos, muitos outros, cada um com uma mensagem, um jeito, uma proposta.

Johnny Marr era o guitarrista do The Smiths, e provocou muito comentário na época pelo seu estilo de tocar. Marr sempre utilizava o tom de Fá sustenido para poder acomodar a extensão vocal do Morrissey, que era o cantor da banda, e seu estilo de tocar era um pós punk, com uma fusão do rock dos anos sessenta, um “non-rhythm-and-blues.”

Mas quem se lembra disto? Da afinação da guitarra, do ritmo do baixo, do estilo da bateria?

Destes detalhes técnicos, muito pouca gente. Nos lembramos muito mais facilmente das emoções provocadas pelas músicas, das lendas em torno de "Heaven knows I am miserable now", música que se dizia teria evitado o suicídio de muita gente, ao menos no mundo anglo saxão, nos lembramos das roupas, das garotas da faculdade, dos amigos da época, das alegrias e tristezas da juventude.

Normalmente enxergamos o mundo pelo prisma da emoção e dos sentimentos muito mais do que percebemos e gostamos de admitir, e utilizamos estes dois com muito mais frequencia do que nos damos conta, sempre misturados ao pensar... bem, nem sempre. Não percebemos o quanto estamos divididos, pensar de um lado, sentir do outro, ou quanto estamos unidos, mas na verdade sentimos e pensamos com a totalidade do que somos, achamos que somos "racionais" ou "sentimentais, sensíveis" ou algo assim, mas na realidade somos os dois, ou podemos ser os dois, usar razão e emoção. Num nível mais profundo, somos em grande parte governados pelo nosso Id, que é nossa parte inconsciente, mas não gostamos de saber disto, nos achamos donos completos de nós mesmos, sempre conscientes, seres superiores, racionais, o ápice da “criação”, o mundo e o universo ao nosso dispor.

E qual é o melhor? Pensar ou sentir?

O melhor é poder perceber que e o que pensamos e sentimos, poder unir os dois, ou usar mais um do que o outro, mas separar não é possível, melhor é ter extensão, amplitude emocional e psicológica, ou como diz uma amiga minha, "espaço interno".

Flexibilidade, isto sim é o melhor.


8 comentários:

  1. O melhor não é o pensar ou sentir.....é ser,um ser completo,"raciemocional".Somos muito comple
    xos para sermos unos,a complexidade do seres hu-
    manos torná-os incrivelmente atraentes...mas quem
    sou eu para falar do ser humano....meu negocio é
    estudar o conjunto dos seres,a sociedade,mas isso
    é outro assunto...por hora já divaguei demais.

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  2. Quando lembramos de algo, estas lembranças vem com algum "sentido".Qdo lembro de um ex-namorado...vem o sentido me lembrando de uma musica, uma comida ou até um cheiro. Pensar e sentir estão juntos... so que algumas pessoas percebem ou não.

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  3. Existem pessoas mais instintivas, portanto mais emocionais, e pessoas mais pensantes, racionais talvez, mas o que pesa para tendermos mais a um lado do que ao outro é a Moral.
    Penso que se conquistarmos o meio terno seremos mais éticos, mais sentimento e pensamento juntos...

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  4. A flexibilidade entre sentir e pensar é realmente perfeita, acontece naturalmente, o sentimento pode trazer um pensamento e vice-versa. Na verdade nem todos conseguimos perceber essa linha que os une, mais tênue para uns e menos para outros. Tudo que associamos atravéz da emoção, da sensação se torna simples e fácil para pensar. Quanto mais tentamos racionalizar, menos conseguimos associar, lembrar, aprender, enfim. Todo nosso corpo responde a emoções, nós transformamos em pensamentos. Deixe fluir, sem querer distinguir se "sentir" de "pensar" , podemos encontrar a definição com o tempo, pois criamos referências para isto. Viajei demais e me perdi em meus pensamentos, talvez por ter deixado a "emoção", empolgação em dividir o que penso com outras pessoas (rs)

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  5. Também acho que Os anos 80 foram o ápice da música até hoje, em que foram se solidificando idéias de que a música não é apenas uma arte comercial como vêm sendo lidada hoje em dia, apenas para vender paras as massas, mas é um meio em que é deixado ideologias, estilos, sentimento e os variados estilos que surgiram a partir dos anos 80 e a segmentação do público foram 1 grande demonstração do poder da música e do que ela representa numa sociedade.

    Quanto a relação entre o racional e o emocional da música e do ser humano concordo que têm mttt a ver, a música se bem feita expressa o que o ser humano tem de melhor e pior dentro de si, e nos anos 80 vimos obras-primas surgirem e influenciarem uma geração inteira, seja com técnicas apuradas nas composições musicais ou arranjos extremamente agradáveis aos ouvidos e que conseguem tocar no fundo de nossas almas.

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  6. Ahh só pra completar,muitas músicas foram feitas com complexidade em sua estrutura e com um feeling peculiar, mas muitas das grandes músicas foram feitas por artistas que pouco sabiam de teoria musical, e que fizeram da simplicidade uma marca, usando do sentimento para a música. a música é mais ligada a expressão do sentimento realmente.

    O equilibrio entre racionalidade e emoção é importante para uma pessoa, mas há momentos em que ouvir música e viajar um pouco é necessário hehe

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  7. Quem começou com esta separação todo mundo sabe (ou deveria) foi Platão.O "Mundo das Idéias" lá....lá em cima....como uma meta a ser alcançada já que era a idéia perfeita do que quer que fosse.Caberia aos homens(através da Razão) chegar o mais próximo possível desta perfeição que estava lá (no mundo das idéias).Bom...o platonismo alguns séculos mais tarde desembocou no cristianismo.Ou seja ,deu merda!(tenho consciência que isto vai gerar polêmica e acreditem...estou curtindo !)
    Quando pensamos quem pensa é o corpo.Quando sentimos idem....por sinal quando fazemos qualquer coisa é sempre ele (o corpo).A separação têm profundas consequencias para o modo como os homens se organizam enquanto seres sociais e históricos.Quer separar porque se sente mais confortável?OK.Eu tb até que gosto de conforto mas pode apostar que isto não vai mudar nem um tiquinho o fato inexorável que a separação é somente um equívoco (mas um equívoco conveniente).
    bjs

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  8. Considero que ninguém consiga ser 100% razão ou 100% emoção, creio que algumas pessoas pensam um pouco mais com o coração, vendo mais as cores da vida,deixando as teorias de lado,os grandes planos,a quase obrigação de acertar sempre, já outras pessoas se programam,calculam riscos,não se permitem errar ou ter seus 5 minutinhos de pés fora do chão, mas no final invariavelmente um procura e necessita do outro por isso relacionamentos em que cada um tem uma dessas qualidades mais latentes tem muito mais chances de darem certo.

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