Algumas vezes os ditados populares são muito apropriados, e resumem pensamentos, circunstâncias de vida, coisas que se deve ou não fazer. Alguns são muito engraçados, alguns nem tanto, e quero me utilizar de um deles: “pelo amor ou pela dor”, diz esse que implica que as pessoas aprendem as lições da vida seja por um ou outro caminho, e que há circunstâncias nas quais esse aprendizado é inevitável, de um modo ou de outro.
Mas aprendizado não significa sempre solução de algum problema, pois há situações nas quais a pessoa sabe o que lhe aflige, conhece a sua dor, sabe ou tem digamos, uma semi-consciência do seu problema e o nega, ou reage com raiva, que pode ser causada por uma sensação de impotência diante do problema, impotência esta real ou imaginária.
Mas há casos em que as pessoas sabem de tudo isto e procuram não mudar nada resistindo a toda possibilidade ou tentativa por outras pessoas de interferir na situação e provocar a mudança.
É a escolha dos remedios e da dor da fibromialgia ao invés de fazer análise, é a pessoa que vai para uma entrevista ou primeira sessão, fala abertamente sobre o que sente, sabe que há uma saída para seus problemas e resolve não prosseguir, há o viciado em cigarro que sabe do mal que faz a si mesmo e não para e por ai vai.
Quer dizer que as pessoas escolhem a dor? Exatamente. Escolhem a dor porque embora não pareça, há um ganho nisso, ganho secundário como se diz em Psicanálise.
Ganho secundário é uma vantagem que vem da neurose, como uma solução menos conflituosa comparada à luta entre as defesas impostas pelo superego e em menor grau pelo ego e os desejos de origem inconsciente. O proprio Freud considerava essa situação como uma grande dificuldade ao processo analítico, o que é facilmente observável: basta perguntar a qualquer pessoa se ela faria análise, mesmo aqueles que claramente sofrem, e que sabem que sofrem e muito rapidamente dirão que não precisam, que isto é coisa para loucos e outras formas de resistência. Aliás, resistências há muitas, e oportunamente as discutiremos.
Menos conflituoso não significa nem de longe ausência de dor ou sofrimento para a pessoa, e pode ser a causa de empedimentos e restrições em sua vida, diminuindo o prazer de viver, a espontaneidade, a qualidade de vida, e possivelmente dando lucro aos fabricantes de remédios, estes companheiros inseparáveis e substitutos orais de soluções que requerem mais trabalho, são muito mais profundas e significativas e muito mais complexas do que engolir uma pilulazinha colorida e fingir que está tudo bem.
Mas não podemos obrigar alguem a deixar a dor, podemos apenas sugerir, ajudar se a pessoa quiser deixar este lugar de sofrimento.
Convido novamente você à reflexão, que é um dos objetivos deste blog: o que prefere? O que faz em suas escolhas, “dor ou amor”?

Como não estou na minha sessão de terapia, deixarei certos detalhes de lado, ficando apenas com a linha de pensamento. O fato que gostaria de comentar é que há alguns anos atrás percebi que me boicotava de forma a sempre não conseguir aquilo que almejava. Estar sempre no território da "não - conquista" me era conhecido e portanto, de certa forma, seguro. E é claro, sempre repleto de dor... Mas que coisa, eu optava, mesmo que sem querer, por aquilo que não queria só para não ter que enfrentar o território desconhecido.
ResponderExcluirDepois desse evento comecei a perceber quantas pessoas seguem seus rumos exatamente assim - com dor mas seguras!
Eu venho me arriscando a apalpar o desconhecido pois escolhi o amor - o amor próprio!